RPV·8 min de leitura

Quanto tempo demora para receber uma RPV?

O prazo legal é de 2 meses após a requisição (CPC, art. 535). Entenda por que o dinheiro pode demorar mais e como a antecipação muda esse tempo.

Por Equipe AlphaJuri · 24 de julho de 2026

O prazo legal para o pagamento de uma RPV é de 2 meses, contados da entrega da requisição ao ente público devedor, conforme o art. 535, §3º, II, do Código de Processo Civil. Na esfera federal, a Lei 10.259/2001, art. 17, fala em 60 dias, também contados da entrega da requisição. O detalhe que quase ninguém explica: esse prazo só começa a correr depois que a requisição é expedida pelo juiz. Entre ganhar o processo e ver a requisição expedida existem etapas com tempo próprio, como a homologação dos cálculos e os prazos de manifestação da Fazenda. Por isso, a pergunta tem duas respostas: a da lei e a da fila real dos tribunais. Neste guia, você entende as duas e descobre o que a antecipação muda nessa espera.

O que é uma RPV e por que ela é mais rápida que o precatório

RPV é a sigla de Requisição de Pequeno Valor. É a forma de pagamento das dívidas judiciais do poder público que ficam abaixo de um teto definido em lei. A base está na Constituição Federal: o art. 100, §3º, dispensa o regime de precatórios para as obrigações definidas em lei como de pequeno valor. Na prática, isso significa que a RPV não entra na fila de anos do precatório. Ela segue um rito próprio, muito mais curto.

O teto varia conforme o devedor. Para a União, o limite é de 60 salários mínimos, conforme o art. 17, §1º, da Lei 10.259/2001. Estados, Distrito Federal e municípios podem fixar limites próprios em leis locais, de acordo com sua capacidade econômica, como autoriza o art. 100, §4º, da Constituição. Existe um piso: nenhum ente pode fixar limite inferior ao valor do maior benefício do Regime Geral de Previdência Social. Ou seja, antes de estimar o tempo, vale confirmar se o seu crédito realmente será pago como RPV ou se, pelo valor, cairá no regime de precatório.

Quanto tempo demora para receber RPV segundo a lei

A regra geral está no Código de Processo Civil e é objetiva. Depois que o juiz expede a requisição e ela é entregue ao ente devedor, o pagamento deve acontecer em até 2 meses. O Supremo Tribunal Federal confirmou a constitucionalidade desse prazo ao julgar a ADI 5.534, inclusive para estados e municípios.

CPC, art. 535, §3º, II: o pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima da residência do exequente.

Na Justiça Federal, que concentra boa parte das RPVs do país (causas contra o INSS e a União, por exemplo), a Lei 10.259/2001, art. 17, determina que o pagamento seja feito em 60 dias, contados da entrega da requisição à autoridade citada, com depósito em agência da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil. Os dois prazos apontam para a mesma lógica: cerca de dois meses entre a requisição e o dinheiro disponível.

A fila real: o que acontece antes de o prazo começar a contar

Se o prazo legal é de 2 meses, por que tanta gente espera bem mais? Porque o relógio da lei só dispara na entrega da requisição. Antes disso, o processo precisa percorrer etapas que têm ritmo próprio em cada tribunal e em cada vara. O caminho típico é este:

  1. Trânsito em julgado: a decisão que condenou o ente público precisa se tornar definitiva, sem possibilidade de recurso.
  2. Cumprimento de sentença: apresentação e conferência dos cálculos do valor devido.
  3. Prazo de manifestação da Fazenda: o ente devedor pode impugnar os cálculos, o que abre uma discussão que suspende o avanço.
  4. Expedição da requisição: com o valor definido, o juiz expede a RPV e a encaminha ao tribunal ou ao ente devedor.
  5. Processamento e depósito: só aqui começam a contar os 2 meses do CPC (ou os 60 dias da lei federal).
  6. Liberação: o valor é depositado em banco oficial e o credor é intimado a fazer o levantamento.

Cada uma dessas etapas depende do volume de trabalho da vara, da complexidade dos cálculos e do comportamento do devedor. É essa soma que explica a distância entre o prazo escrito na lei e o tempo total percebido por quem espera.

Fatores que fazem o tempo variar

  • Ente devedor: a União segue o fluxo dos Tribunais Regionais Federais, com rotinas de processamento consolidadas. Estados e municípios têm realidades fiscais e administrativas muito diferentes entre si.
  • Fase do processo: quem ainda discute cálculos está mais longe do depósito do que quem já tem requisição expedida.
  • Impugnações: qualquer questionamento da Fazenda sobre o valor reabre discussão e adia a expedição.
  • Rotina do tribunal: a requisição expedida entra no ciclo interno de processamento e repasse de cada tribunal antes do depósito.
  • Destaque de honorários: quando há honorários contratuais ou de sucumbência a separar, o levantamento pode exigir providências adicionais.

E se o prazo não for cumprido?

O descumprimento tem consequência prevista em lei. Na esfera federal, o art. 17, §2º, da Lei 10.259/2001 determina que, desatendida a requisição judicial, o juiz determinará o sequestro do numerário suficiente ao cumprimento da decisão. Em bom português: o juiz pode bloquear dinheiro do ente devedor para pagar você. É uma proteção importante, mas que depende de provocação do seu advogado e de novo trâmite processual, ou seja, mais tempo de espera.

O que a antecipação de RPV muda nesse tempo

A antecipação não acelera o tribunal. O que ela faz é transferir a espera para outra pessoa. O instrumento é a cessão de crédito, regulada pelos arts. 286 a 298 do Código Civil: você cede o seu crédito a uma empresa especializada e recebe o valor acordado à vista. A partir daí, quem aguarda a expedição, o processamento e o depósito é o cessionário, não você.

Naturalmente, a antecipação envolve um deságio, que é a diferença entre o valor de face do crédito e o valor pago à vista. Esse deságio não é um número fixo de mercado: ele depende de fatores como o prazo estimado até o pagamento, o ente devedor, a fase em que o processo está e a natureza do crédito (alimentar ou comum). Quanto mais próximo do depósito e mais previsível o devedor, melhores tendem a ser as condições. Para advogados, vale lembrar que os honorários de sucumbência constituem direito do advogado, com natureza alimentar, conforme o art. 85, §14, do CPC, e o art. 23 da Lei 8.906/94 assegura ao advogado o direito autônomo de executá-los. Por isso, eles também podem ser objeto de antecipação, de forma independente do crédito principal do cliente.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para receber RPV?

O prazo legal é de 2 meses contados da entrega da requisição ao ente devedor, conforme o art. 535, §3º, II, do CPC. Na Justiça Federal, a Lei 10.259/2001 prevê 60 dias. O tempo total, porém, é maior, porque antes da requisição o processo passa por trânsito em julgado, homologação de cálculos e possíveis impugnações da Fazenda, etapas cujo ritmo varia conforme o tribunal e o devedor.

O prazo de 2 meses vale para RPV de estados e municípios?

Sim. O STF, ao julgar a ADI 5.534, confirmou a constitucionalidade do prazo de 2 meses do art. 535, §3º, II, do CPC, inclusive para os entes estaduais e municipais. A autonomia desses entes se restringe à fixação do teto do que é considerado pequeno valor, respeitado o piso do maior benefício do Regime Geral de Previdência Social, previsto no art. 100, §4º, da Constituição.

O que fazer se a RPV atrasar?

Fale com o seu advogado para cobrar o cumprimento nos autos. Na esfera federal, o art. 17, §2º, da Lei 10.259/2001 autoriza o juiz a determinar o sequestro do valor necessário quando a requisição não é atendida no prazo. É um remédio eficaz, mas exige petição, decisão e novo trâmite, o que adiciona tempo à espera.

Como receber o valor da RPV sem esperar a fila do tribunal?

A alternativa é a antecipação por cessão de crédito, prevista nos arts. 286 a 298 do Código Civil: você cede o crédito e recebe à vista, com um deságio que reflete o prazo estimado, o ente devedor e a fase do processo. A AlphaJuri é especializada na antecipação de RPVs, precatórios e honorários de sucumbência, e analisa o seu caso concreto para apresentar uma proposta clara. Simule a antecipação do seu crédito sem compromisso e descubra quanto você pode receber agora, em vez de esperar a fila.

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